Na manhã desta segunda-feira (26), uma onda de instabilidade afetou os aplicativos de diversos bancos e corretoras, refletindo a turbulência nos mercados após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O site Downdetector, que monitora problemas em serviços digitais, reportou que instituições como Rico, Clear, Inter, XP Investimentos, Nubank, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e C6 Bank enfrentaram dificuldades operacionais.
O Itaú, em nota, minimizou os relatos, afirmando que não houve instabilidade em seus sistemas e sugerindo que os problemas poderiam estar relacionados a transações com outras instituições. As demais instituições afetadas ainda não se manifestaram sobre o ocorrido até a última atualização desta reportagem.
O impacto da vitória de Lula foi imediato nos mercados. A expectativa entre investidores é de uma reavaliação nas projeções relacionadas a juros, câmbio e contas públicas, especialmente considerando que a maioria das pesquisas antes da votação apontava vantagem para Jair Bolsonaro. A B3, bolsa de valores brasileira, acionou o circuit breaker logo nos primeiros minutos de negociação, interrompendo as atividades do Ibovespa em resposta às fortes oscilações.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, destacou que a condução da política fiscal durante o quarto mandato de Lula será crucial para a confiança dos investidores, que observam com atenção a trajetória da dívida pública e o controle das despesas. Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, acrescentou que o governo deverá se esforçar para recuperar a confiança do mercado, cogitando a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) voltada à revisão de gastos obrigatórios.
Em um movimento que evidencia a preocupação dos investidores, as ações brasileiras também sofreram quedas significativas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha papéis brasileiros negociados em Nova York, despencou 26,16% antes mesmo da abertura do mercado nesta segunda-feira, após já ter recuado mais de 19% no dia anterior.
A situação pode ainda se agravar devido a possíveis contestações judiciais. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, de prorrogar o horário de votação para acomodar eleitores em dificuldades logísticas, pode alimentar disputas legais. Flávio Bolsonaro, em seu pronunciamento após a derrota, não reconheceu o resultado e anunciou a intenção de pedir a anulação do pleito, adicionando mais incerteza ao cenário já volátil.
Crédito da imagem: Oscilações do mercado.




