A recuperação judicial no agronegócio brasileiro apresenta um cenário intrigante e, em certa medida, otimista, ao registrar uma queda de 20,7% nos pedidos no segundo trimestre de 2023 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa é a primeira redução nesse intervalo desde 2022, conforme aponta uma análise da Serasa Experian. O total de 448 solicitações, que inclui tanto pessoas físicas quanto jurídicas do setor, sinaliza uma possível melhora nas condições financeiras dos produtores, mas é um avanço que deve ser observado com cautela.
O head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, alerta para a necessidade de uma interpretação cuidadosa desses números. Segundo ele, a diminuição nos pedidos pode estar ligada a um aumento na entrada de receitas em algumas partes da cadeia produtiva, além de fatores sazonais e renegociações com instituições financeiras. No entanto, Pimenta enfatiza que o ambiente econômico ainda é desafiador, com custos elevados e um acesso ao crédito mais restrito.
Entre os estados, o Mato Grosso lidera em pedidos de recuperação, com 107 registros, seguido por Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42). No que diz respeito às atividades, o cultivo de soja, carro-chefe da produção agrícola nacional, responde por 70 pedidos, enquanto a criação de bovinos soma 28 solicitações.
A análise detalha ainda que as solicitações de recuperação judicial feitas por pessoas físicas caíram 10,5% em relação ao segundo trimestre de 2022, totalizando 197, enquanto os pedidos feitos por pessoas jurídicas tiveram uma redução ainda mais acentuada, de 34,2%, resultando em 160 solicitações. No recorte por porte, os produtores sem propriedades lideram com 70 pedidos, seguidos pelos grandes proprietários (51), pequenos (39) e médios (37).
Portanto, enquanto os dados de recuperação judicial no agronegócio brasileiro mostram uma leve tendência de melhora, a complexidade do cenário econômico exige uma atenção contínua. O futuro da produção rural no Brasil dependerá da capacidade dos produtores em navegar por essas águas turbulentas e das políticas públicas que podem surgir para apoiar o setor.




