quinta-feira, 29/10/2026

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Itaú aponta possibilidade de queda no preço do frango, especialmente na região Sul, após surto de Newcastle em Santa Catarina.

O mercado de frango pode enfrentar uma mudança significativa nos próximos meses, especialmente na Região Sul do Brasil, devido à recente confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, Santa Catarina.…

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O mercado de frango pode enfrentar uma mudança significativa nos próximos meses, especialmente na Região Sul do Brasil, devido à recente confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, Santa Catarina. O banco Itaú BBA, em relatório publicado nesta sexta-feira (23), sugere que essa situação pode resultar em uma queda nos preços, particularmente no atacado, com efeitos mais visíveis durante o primeiro trimestre de 2027, quando a demanda do consumidor tende a diminuir.

Na prévia da inflação de outubro, o preço do frango em pedaços subiu 0,71% em relação ao mês anterior, mas, em um período de 12 meses, houve uma queda acumulada de 4%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É importante ressaltar que a doença de Newcastle, que afeta aves, não representa risco de transmissão pelo consumo de carne de frango, embora possa causar complicações respiratórias e neurológicas em aves e, raramente, conjuntivite em humanos.

As recentes restrições às exportações de frango de Santa Catarina, que responde por cerca de 63% da produção destinada ao mercado externo, são um fator crucial. Países como China, Arábia Saudita, Chile e México suspenderam importações da carne catarinense, o que força os frigoríficos a reconsiderarem seus destinos de venda. Com menos opções de exportação, é provável que uma quantidade maior de frango seja direcionada ao mercado interno, aumentando a oferta e, consequentemente, pressionando os preços para baixo, especialmente na Região Sul.

O Itaú BBA também aponta que os frigoríficos podem enfrentar desafios como acúmulo de estoques e aumento de custos com logística e armazenagem. Apesar do crescimento na produção de frango, que até setembro foi 3,7% maior que no mesmo período do ano anterior, a manutenção dos preços altos se deveu em parte à força das exportações. Além disso, a atratividade do frango em comparação à carne bovina tem mantido a demanda aquecida.

No entanto, a combinação de um aumento na oferta e uma provável redução na demanda, após as festividades de fim de ano e as despesas relacionadas ao início do ano letivo, pode levar a uma queda nos preços. O Itaú BBA observa que, mesmo que os frigoríficos possam reduzir preços no atacado, isso não garante que os consumidores verão essa redução refletida nos supermercados, uma vez que os custos de transporte e comercialização também influenciam o preço final.

O impacto real nos preços dependerá, portanto, da rapidez com que os mercados internacionais retomarão as compras do frango brasileiro. O cenário atual lembra eventos passados, onde a duração e a intensidade das restrições às exportações tiveram consequências diferentes nos preços. Neste caso, o Itaú BBA projeta que o impacto será limitado principalmente a Santa Catarina e ao mercado atacadista da Região Sul.

Crédito da imagem: Claudio Schwarz/Unplash