A conta de luz no Brasil continua a ser um tema de preocupação crescente entre os cidadãos, especialmente em um cenário onde a modernização e a eficiência energética parecem não se refletir nas faturas mensais. Um exemplo claro dessa situação é uma mini cidade na Zona Norte do Rio de Janeiro, que abriga mais de 3 mil moradores em 400 apartamentos. Apesar de sua infraestrutura moderna, a conta de eletricidade alcança a exorbitante quantia de R$ 40 mil por mês, consumindo entre 20% e 40% do custo total do condomínio, o que limita novos investimentos, segundo o síndico Jorge Lima.
Embora o Brasil seja conhecido por sua matriz energética predominantemente renovável, com quase 90% da energia proveniente de fontes como hidrelétricas, eólica e solar, a realidade dos custos é alarmante. Um estudo do economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas, revela que mais de dois terços da conta de luz não estão relacionados ao preço da energia em si. Em 2025, apenas 30,4% da fatura será composta pelo custo da energia, enquanto 26% correspondem à distribuição, 10% à transmissão e 15% a encargos setoriais. Tributos também desempenham um papel significativo, representando 18% do total.
Além disso, a obrigatoriedade de adquirir energia de termelétricas e as bandeiras tarifárias, que elevam os preços em períodos de seca, contribuem para a elevação das tarifas. Embora o Brasil não figure entre os países com as tarifas mais altas em um ranking global, os custos superam os de nações com perfis energéticos semelhantes, como Canadá e Noruega, que conseguem oferecer preços mais acessíveis.
Daniel Duque destaca a necessidade de uma coordenação mais efetiva entre os diferentes níveis de governo para reduzir as perdas durante a transmissão e distribuição de energia, um problema que afeta diretamente o custo final. O impacto no setor produtivo é palpável, como exemplificado por uma grande empresa de processamento de pescado que enfrenta dificuldades devido aos altos custos com eletricidade. O gerente de Meio Ambiente da Frescatto, Cacio de Moura Rodrigues, ressalta que uma política pública focada em energia limpa e barata poderia não apenas beneficiar as empresas, mas também levar a uma redução nos preços ao consumidor e a geração de empregos.
Essa situação delicada exige atenção e ação, pois a energia é um insumo fundamental para a competitividade econômica do Brasil. A transformação do setor elétrico é essencial para que o país possa almejar um futuro mais sustentável e próspero.



