quinta-feira, 29/10/2026

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Especialistas alertam que perdão de dívidas para MEIs pode ajudar financeiramente, mas não aborda os problemas estruturais enfrentados pelos empreendedores.

O recente perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs), sancionado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, traz uma esperança a milhões de pequenos negócios em apuros financeiros. Contudo, especialistas alertam que essa medida,…

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O recente perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs), sancionado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, traz uma esperança a milhões de pequenos negócios em apuros financeiros. Contudo, especialistas alertam que essa medida, embora benéfica, não resolve os problemas estruturais que levam muitos empreendedores a enfrentarem dificuldades financeiras. A análise é clara: sem mudanças na gestão e no acesso a crédito, a situação pode se repetir.

O projeto de lei complementar, que perdoa débitos de MEIs acumulados até 13 de outubro deste ano, poderá beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, cuja dívida totaliza aproximadamente R$ 12,6 bilhões. Além disso, a proposta eleva o limite de faturamento anual para a categoria e possibilita a contratação de dois funcionários sob certas condições.

Para Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, a renegociação de dívidas oferece apenas um alívio temporário se não for acompanhada de uma gestão financeira mais eficaz. Ele destaca que muitos empreendedores utilizam o dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais, o que contribui para o ciclo de endividamento. “Sem crédito acessível e educação financeira, a situação tende a permanecer a mesma”, afirma.

A distinção entre empreender por necessidade ou por oportunidade também é um ponto importante na análise de Leal. Os negócios que surgem como resposta a uma demanda de mercado geralmente são mais estruturados e têm uma visão de futuro. Já aqueles iniciados por necessidade tendem a ser menos planejados e podem ser considerados como alternativas temporárias para geração de renda, o que pode impactar a resiliência do empreendedor.

Leal sugere que políticas de apoio devem ir além do perdão de dívidas, com a necessidade de ampliar o acesso a linhas de crédito subsidiadas e serviços de qualificação, como os oferecidos pelo Sebrae. Essas medidas seriam cruciais para ajudar os MEIs a se organizarem financeiramente e a separarem suas contas pessoais das empresariais.

Antonio Maciel, planejador financeiro, reforça a importância de uma gestão financeira clara, onde o empresário deve perceber que o dinheiro da empresa não é automaticamente disponível para uso pessoal. Ele recomenda que, antes de retirar qualquer quantia da empresa, o empreendedor avalie suas despesas e lucros, garantindo que a operação não seja comprometida.

Além disso, Maciel alerta que o endividamento pode se agravar mesmo que as contas estejam sendo pagas em dia, caso o empreendedor dependa de crédito caro para cobrir despesas. Sinais de alerta incluem o uso excessivo de cheque especial ou a necessidade de obter um empréstimo para saldar outro. Por isso, o controle financeiro deve ser rigoroso tanto na empresa quanto no orçamento pessoal.

Ao enfrentar o endividamento, é vital que o empreendedor identifique quais dívidas são essenciais e quais podem ser renegociadas. Maciel sugere que as obrigações legais, como tributos e salários, recebam prioridade, evitando problemas mais graves como a interrupção do funcionamento do negócio. A renegociação deve ser vista como uma oportunidade de recuperação, desde que acompanhada de uma reavaliação da gestão financeira.

Em suma, o perdão de dívidas pode ser um passo importante para ajudar os MEIs a recomeçar, mas é fundamental que essa medida venha acompanhada de um suporte robusto em educação financeira e acesso a crédito. Sem isso, muitos podem encontrar-se novamente à beira do colapso financeiro.

Crédito da imagem: Congresso aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas