Independentemente de quem sair vitorioso nas eleições deste domingo (25), seja Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o próximo presidente enfrentará um desafio monumental: a economia. A partir de 5 de janeiro, o novo governo terá que dar respostas contundentes tanto ao mercado financeiro, que exigirá um ajuste fiscal, quanto aos cidadãos, que lidam com um custo de vida elevado e níveis alarmantes de endividamento.
O diagnóstico é claro entre economistas consultados pela BBC News Brasil: ambos os candidatos não apresentaram propostas concretas para lidar com esses desafios durante a campanha. A expectativa é que as diretrizes econômicas mais definitivas surjam após as eleições, quando a nova equipe econômica for formada.
Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence, destaca que um governo realmente eficaz não será aquele que apresente os melhores resultados em seus quatro anos de mandato, mas sim aquele que conseguir deixar a economia em condições favoráveis para um crescimento sustentável no futuro.
Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, o novo presidente deve agir rapidamente, apresentando um plano claro para as contas públicas assim que assumir, já que o debate sobre estas questões foi amplamente negligenciado durante a campanha. “O tempo é curto, e o novo Congresso terá suas próprias prioridades que podem desviar a atenção do ciclo econômico”, alerta Salto.
Dentre os principais desafios que o próximo presidente terá que enfrentar está o desequilíbrio das contas públicas. A dívida bruta do governo alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto, correspondendo a 82,9% do PIB. Quando o governo gasta mais do que arrecada, a solução torna-se pegar dinheiro emprestado a juros altos, criando um ciclo vicioso de endividamento.
Flávio Bolsonaro tem mostrado um discurso ambíguo, prometendo cortes significativos nos gastos públicos, mas também mantendo compromissos com o reajuste real do salário mínimo e benefícios sociais. Já Lula, com suas promessas que somam impactos fiscais de quase R$ 200 bilhões até 2030, parece apostar no crescimento econômico como solução para a dívida pública, sem indicar cortes de despesas.
Ambos os candidatos enfrentam o problema de que suas propostas não são viáveis sem um ajuste fiscal substancial, e qualquer um deles terá que lidar com a realidade econômica logo após a eleição. Salto adverte que a conta não fecha para Flávio se ele não equilibrar a carga tributária com o Estado de bem-estar social prometido, enquanto Lula pode se ver pressionado a adotar medidas impopulares que contradizem suas promessas de campanha.
Além do equilíbrio fiscal, o próximo presidente também enfrentará um crescimento econômico projetado para ser baixo em 2027, com estimativas indicando uma alta de apenas 1% no PIB. Isso será influenciado pela redução de estímulos fiscais e pela pressão de juros elevados, além de uma possível retração no setor agropecuário.
O humor do eleitor, que costuma avaliar o governo conforme seu impacto no bolso, poderá ser afetado por um desempenho econômico fraco no início do mandato. As propostas de ambos os candidatos para estimular o crescimento econômico em seus programas eleitorais ainda carecem de clareza e viabilidade.
Por fim, o custo de vida e o endividamento recorde são questões que exigem atenção imediata do novo governo. Enquanto Lula sugere manter a valorização do salário mínimo e ampliar programas de assistência, Flávio propõe a redução de impostos sobre consumo e a reestruturação da dívida. Contudo, especialistas alertam que essas medidas são paliativas e não abordam as questões estruturais que precisam ser enfrentadas a longo prazo.
Em suma, seja qual for o vencedor, o próximo presidente terá um árduo caminho pela frente para equilibrar as contas públicas, estimular o crescimento econômico e restaurar a confiança da população em sua gestão.




