quinta-feira, 29/10/2026

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Crescimento do PIB e queda do desemprego marcam gestão de Lula, mas desafios com juros e dívidas persistem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato, enfrenta um cenário econômico que, apesar de diversos avanços, revela uma realidade complexa para a população brasileira. Embora o país tenha registrado crescimento…

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato, enfrenta um cenário econômico que, apesar de diversos avanços, revela uma realidade complexa para a população brasileira. Embora o país tenha registrado crescimento econômico e a taxa de desemprego tenha atingido os níveis mais baixos da história, a reeleição de Lula em 2026, com 51,79% dos votos no segundo turno, demonstrou que os resultados positivos não foram suficientes para atrair plenamente o eleitorado.

A margem apertada de sua vitória reflete um paradoxo: o crescimento do PIB e a redução no desemprego não se traduziram em uma percepção de melhoria nas condições de vida da maioria das pessoas. Economistas apontam que os benefícios do crescimento não foram uniformemente distribuídos entre os diferentes setores e segmentos da população. A persistente pressão do custo de vida, das dívidas e das altas taxas de juros agrava ainda mais essa situação, reduzindo a sensação de alívio financeiro que o crescimento poderia proporcionar.

Os resultados econômicos, embora positivos, revelam disparidades. De acordo com Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o PIB, que parece promissor em termos gerais, esconde realidades distintas. Setores como agropecuária e indústria extrativa foram favorecidos por fatores externos, enquanto comércio e serviços enfrentaram desafios relacionados ao consumo interno. No mercado de trabalho, a criação de novas vagas concentrou-se em posições menos qualificadas, sem um avanço equivalente para profissões que exigem formação superior e oferecem melhores salários.

Outro aspecto que pesa sobre o orçamento das famílias é o endividamento. Em julho de 2026, quase 29% da renda mensal das famílias foi destinada ao pagamento de dívidas, com um aumento no percentual de endividados, que chegou a 81,7% em setembro. Embora o governo tenha lançado programas como o Desenrola para facilitar a renegociação de dívidas, especialistas alertam que isso não resolve questões estruturais que levam ao endividamento, como a alta dos juros e a escassez de crédito de longo prazo.

Em meio a esse cenário desafiador, a condução da política econômica do governo Lula também é criticada. A dificuldade em controlar os gastos públicos e o déficit primário persistente têm gerado preocupações sobre a sustentabilidade fiscal. As contas do governo, que apresentaram déficits significativos nos últimos anos, refletem a pressão sobre a política monetária e os juros, que continuam elevados, dificultando o acesso ao crédito e limitando o crescimento econômico.

Apesar das críticas, algumas medidas do governo, como a reforma tributária e a manutenção da autonomia do Banco Central, são vistas como positivas e podem trazer benefícios a longo prazo. No entanto, a polarização política e as expectativas frustradas da população complicam a avaliação do governo. Muitos brasileiros ainda esperam que a era de prosperidade dos primeiros mandatos de Lula se repita, e essa frustração pode influenciar a percepção sobre o atual governo.

Assim, o terceiro mandato de Lula se desenha como um desafio para equilibrar crescimento econômico com a realidade das famílias brasileiras, que ainda enfrentam dificuldades financeiras e uma crescente demanda por soluções que tragam alívio efetivo ao bolso. A capacidade do governo de responder a essas expectativas e desafios será fundamental para sua estabilidade política e econômica nos próximos anos.