sexta-feira, 06/11/2026

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André Lara Rezende nega contato com Lula e critica boatos sobre sua posição em relação à proposta econômica

André Lara Resende, economista e ex-diretor do Banco Central, gerou um debate acalorado com sua proposta de um novo órgão para gerenciar as políticas monetária e fiscal do Brasil. O artigo, publicado em sua…

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André Lara Resende, economista e ex-diretor do Banco Central, gerou um debate acalorado com sua proposta de um novo órgão para gerenciar as políticas monetária e fiscal do Brasil. O artigo, publicado em sua newsletter na plataforma Substack em setembro, ganhou destaque após a deputada Gleisi Hoffmann (PT) compartilhá-lo, transformando-o em um ponto central das discussões econômicas do governo Lula. Resende, que já ocupou cargos relevantes no BNDES e no Banco Central, argumenta que a elevada taxa de juros do país é a principal responsável pelo déficit fiscal, e não o gasto público, como defendido por muitos no setor financeiro.

O economista critica o que ele chama de “bolsa-rentista”, onde os altos juros pagos sobre a dívida pública beneficiam principalmente os mais ricos. Em sua análise, a Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano, representa um entrave ao crescimento econômico e à justiça social. Ele sugere a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), que atuaria em conjunto com o Banco Central para estabelecer metas de longo prazo para a política fiscal e a taxa de juros. Contudo, essa proposta enfrentaria a barreira da necessidade de aprovação pelo Congresso, uma vez que o BC não possui autonomia para criar novos conselhos.

Lara Resende também se distanciou de rumores sobre uma possível reunião com o presidente Lula, afirmando que não tem interesse em assumir um cargo no governo. Ele acredita que sua proposta tem sido alvo de desinformação, usada para desacreditá-la dentro da disputa política interna. Mesmo com críticas de economistas de diferentes espectros políticos, ele se mantém firme na ideia de que a solução para os problemas fiscais do Brasil passa pela redução da taxa de juros, que deveria ser fixada em um patamar mais baixo, compatível com o crescimento da economia.

A proposta de Resende não é isenta de controvérsias. Críticos afirmam que a redução dos juros pode causar instabilidade econômica, levando a uma possível fuga de capitais e desvalorização da moeda. Em resposta, ele argumenta que a situação atual do Brasil, com um robusto superávit comercial e reservas significativas, favorece uma abordagem mais ousada em relação à política monetária. Para ele, a coordenação de expectativas entre as políticas fiscal e monetária é essencial para garantir a estabilidade econômica e reduzir os altos juros que sustentam a dívida pública.

À medida que as discussões sobre a política econômica do novo governo avançam, a proposta de Lara Resende promete ser um tema central, refletindo a tensão entre a necessidade de controle fiscal e a urgência de um crescimento econômico mais inclusivo. A capacidade de implementar essas ideias dependerá não apenas da aceitação no Congresso, mas também da disposição do governo em romper com o paradigma atual que mantém as taxas de juros em níveis elevados.

Crédito da imagem: Economista André Lara Resende