Neste domingo (25), os brasileiros se dirigem às urnas em uma disputa acirrada para a presidência da República, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam suas visões sobre o futuro econômico do país. Com a dívida pública se aproximando de R$ 11,1 trilhões, o desafio de equilibrar as contas é um ponto central nas propostas dos candidatos, mas as soluções apresentadas suscitam diversas indagações sobre sua viabilidade e impacto nas finanças públicas.
Atualmente, a dívida representa 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a aproximadamente dez meses de produção nacional. Esse cenário exige um planejamento cuidadoso para não comprometer investimentos essenciais, já que os gastos obrigatórios, como Previdência e saúde, têm crescido acima do limite estabelecido pelas normas fiscais.
A análise das propostas dos candidatos revela um panorama complexo. Enquanto Flávio Bolsonaro sugere a compra de dívidas por meio da Caixa Econômica Federal, com o intuito de aliviar a carga das famílias e empresas, especialistas alertam para os riscos dessa estratégia. Murilo Viana, economista da Unicamp, ressalta que transferir dívidas privadas para uma instituição pública pode gerar consequências indesejadas, como a expectativa de novas renegociações que podem impactar a oferta de crédito e o comportamento de bancos e consumidores.
Por sua vez, Lula, em busca da reeleição, sancionou uma lei que perdoa dívidas de microempreendedores, que poderá beneficiar mais de 3,6 milhões de pessoas. Embora essa medida tenha apelo social, também levanta questões sobre sua sustentabilidade fiscal e o impacto nas contas públicas.
As promessas de ambos os candidatos incluem a revisão de impostos e o aumento de gastos com programas sociais. Flávio Bolsonaro menciona cortes de 1,5% do PIB e a redução de impostos, mas sem detalhes concretos sobre quais despesas seriam cortadas. Economistas como Ricardo Hammoud enfatizam que, dado o comprometimento do orçamento com despesas obrigatórias, tais promessas podem ser difíceis de cumprir sem reformas significativas.
A proposta de Lula de aumentar o Bolsa Família e oferecer transporte gratuito aos finais de semana também enfrenta o desafio de justificar sua viabilidade financeira, especialmente em um contexto onde as receitas não acompanham o aumento de gastos.
Ambos os candidatos devem enfrentar o dilema de como equilibrar promessas eleitorais e a necessidade de responsabilidade fiscal. O debate sobre como financiar seus planos e a gestão da dívida pública será crucial, não apenas para a campanha, mas para o futuro econômico do Brasil.
Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo




