quinta-feira, 29/10/2026

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Governo Milei na Argentina planeja demitir mais 20 mil servidores, após 77 mil cortes anteriores

Na última segunda-feira (19), o governo argentino, sob a liderança do presidente Javier Milei, anunciou um novo plano de demissão voluntária que visa eliminar 20 mil postos de trabalho na administração pública. Essa medida…

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Na última segunda-feira (19), o governo argentino, sob a liderança do presidente Javier Milei, anunciou um novo plano de demissão voluntária que visa eliminar 20 mil postos de trabalho na administração pública. Essa medida se insere em um contexto de cortes significativos, que já resultaram na eliminação de mais de 77 mil empregos desde a posse de Milei em dezembro de 2023.

O programa, que terá duração de um mês a partir de 1º de novembro, oferece compensações que variam de acordo com a idade e o tempo de serviço dos servidores. No entanto, os funcionários que optarem por se demitir não poderão retornar ao serviço público por um período de oito anos. O governo justifica a iniciativa como uma forma de garantir uma “adequada e eficiente alocação dos recursos públicos”. O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, destacou em suas redes sociais a busca contínua por formas de reduzir os gastos públicos e, consequentemente, baixar impostos.

Por outro lado, a reação do setor sindical não tardou a chegar. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) organizou uma marcha contra o plano, denunciando-o como uma demissão “extorsiva”. O secretário-geral da ATE, Rodolfo Aguiar, expressou a total rejeição ao decreto em suas postagens nas redes sociais.

Além dos cortes na administração pública, o cenário econômico argentino é marcado por uma crise mais ampla, com 270 mil empregos perdidos no setor privado formal desde dezembro de 2023, conforme dados divulgados. O governo, por sua vez, alega que foram criados 400 mil novos postos de trabalho, embora essa cifra inclua muitos empregos informais e autônomos. A informalidade no mercado de trabalho argentino aumentou para cerca de 45% nos últimos três anos, refletindo um quadro preocupante de instabilidade econômica.

Enquanto o governo busca implementar sua política de austeridade, conhecida como “motosserra”, a realidade social se agrava, com o crescimento da pobreza e do desemprego contrastando com os esforços oficiais de redução da inflação e estímulo ao crescimento econômico. Essa dicotomia levanta questões sobre a eficácia das medidas adotadas e os reais impactos sobre a população argentina.

Crédito da imagem: Milei chama ONU de 'inútil' em discurso na Assembleia Geral