quinta-feira, 29/10/2026

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Impacto da ocupação israelense nas oliveiras e na produção de azeite em Gaza

A devastação dos pomares de oliveiras em Gaza é um reflexo do impacto da guerra na vida cotidiana dos palestinos. Haidar Abu Middain, um agricultor de 60 anos, observa com tristeza o que restou…

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A devastação dos pomares de oliveiras em Gaza é um reflexo do impacto da guerra na vida cotidiana dos palestinos. Haidar Abu Middain, um agricultor de 60 anos, observa com tristeza o que restou de suas terras, que antes eram um símbolo de prosperidade e tradição. Com 900 dunums — aproximadamente 90 hectares — repletos de oliveiras, a família Abu Middain costumava colher cerca de 1.500 toneladas de azeitonas anualmente. Essa produção não apenas sustentava sua família, mas também abastecia a região central de Gaza com azeite, um alimento essencial na dieta local.

Hoje, a realidade é bem diferente. Aproximadamente metade do pomar de Haidar está além da “linha amarela”, onde tropas israelenses restringem o acesso dos palestinos. O restante, embora ainda acessível, foi severamente danificado. Apenas um punhado de árvores permanece em pé, e a previsão é de que a produção não chegue a atender nem mesmo as necessidades básicas da família. “Era uma bênção”, lamenta Haidar, referindo-se à colheita que outrora garantia a subsistência familiar.

A oliveira, que durante tanto tempo simbolizou a resiliência da agricultura em Gaza, agora enfrenta um futuro incerto. As autoridades locais estimam que o número de oliveiras na região caiu drasticamente, de 2 milhões para apenas 150 mil. A colheita deste ano está projetada para ser de meras 5 mil toneladas de azeitonas, uma fração do que era colhido antes do conflito, resultando em apenas 700 toneladas de azeite, em comparação às 5 mil habituais.

O mercado, que antes vibrava com a presença de barris de azeite e cestos de azeitonas, agora mal consegue atender à demanda. O pouco que chega é vendido a preços exorbitantes, três vezes superiores ao que era praticado antes da guerra. Esse aumento torna o produto inacessível para a maioria das famílias em Gaza, que lutam para fazer frente às suas necessidades diárias.

Em Deir al-Balah, uma das poucas áreas preservadas durante o conflito, a colheita ainda acontece, mas em condições muito diferentes. Famílias como a de Khalil Mansi tentam manter a tradição, colhendo azeitonas em um cenário de dificuldades. Para muitos, a colheita, que antes proporcionava emprego por meses, agora é uma luta pela sobrevivência, e a gratidão por conseguir um dia de trabalho é um testemunho da realidade desgastante que enfrentam.

A situação em Gaza é um lembrete da fragilidade da vida e da cultura, onde as oliveiras, antes símbolo de abundância e lar, se tornaram um símbolo da perda e da luta contínua por um futuro melhor.