A atual crise financeira no Paraguai desencadeou uma série de efeitos colaterais que impactam diretamente a vida de muitos brasileiros que residem nas regiões de fronteira do país. O Banco Central paraguaio deu início, na última quinta-feira (5), ao pagamento dos primeiros valores a clientes do Ueno Bank, instituição que, após intervenção, deixou cerca de 3 milhões de correntistas sem acesso a seus depósitos.
A intervenção no Ueno Bank, que se tornou o maior banco digital do Paraguai, acendeu um sinal de alerta no sistema financeiro nacional. José Maciel, diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Banco Central, confirmou que os pagamentos iniciais focam em clientes que possuem até R$ 8,9 mil e que não têm dívidas com a instituição. Esses correntistas poderão acessar a totalidade de seus valores, enquanto os demais grupos de clientes ainda aguardam uma definição sobre o ressarcimento.
O colapso do Ueno Bank, que gerou protestos de clientes que se depararam com agências fechadas, foi precipitado por um ajuste em seus balanços que comprometeu seu índice de solvência, levando a uma intervenção para proteger os depositantes. Além disso, o Ministério Público iniciou investigações que resultaram na detenção de várias pessoas ligadas ao banco, acentuando a percepção de uma crise que vai além do mero problema financeiro.
A crise também teve repercussões políticas significativas. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo em meio a críticas sobre a gestão da instituição. Santiago Peña, presidente do Paraguai e ex-sócio do grupo controlador do Ueno, enfrenta crescente pressão e anunciou um acordo com o Congresso para acelerar um projeto que permita o uso do Fundo de Garantia de Depósitos como forma de ressarcimento aos clientes prejudicados.
Peña, ao justificar sua renúncia, enfatizou que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, demonstrando a gravidade da situação que não apenas afeta a economia, mas também a estabilidade política do país. O Ueno Bank, que administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo aposentadorias e pensões, tornou-se um símbolo de uma crise que poderá reverberar por um longo tempo na vida dos paraguaio e brasileiros que dependem de suas operações.




