O cenário eleitoral de 2026 se revela alarmante, com o Ministério Público do Trabalho (MPT) registrando 2.009 denúncias de assédio eleitoral até o final de outubro. Este número, que representa um crescimento chocante de 115,6% em relação ao mês anterior, destaca a urgência da questão. Em apenas 26 dias do mês, a média diária de denúncias alcançou 46, evidenciando a gravidade do problema no ambiente de trabalho.
São Paulo se destaca como o estado mais afetado, registrando 350 queixas, seguido de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O MPT recebeu 946 denúncias apenas entre o primeiro e o segundo turnos das eleições, um dado que, embora preocupante, ainda é inferior ao recorde de mais de 3,3 mil queixas de 2022, que sinalizava um aumento de 1.600% em comparação a 2018.
O assédio eleitoral, que ocorre quando empregadores tentam influenciar o voto de seus funcionários através de ameaças ou coação, é uma prática condenada não só pelo MPT, mas também pela Justiça do Trabalho. Desde maio de 2023, foram abertos 863 processos relacionados à questão, sendo 233 apenas em 2026. Isso indica um aumento na judicialização do problema, com 135 processos iniciados entre o primeiro turno da eleição e a data limite de coleta de dados.
As iniciativas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para combater o assédio são notáveis, incluindo a Resolução nº 23.755/2026, que proíbe explicitamente a propaganda eleitoral em ambientes de trabalho. A colaboração entre o TSE, o MPT e outras instituições destaca a necessidade de um esforço conjunto para garantir a integridade do voto.
A pressão não se limita ao espaço físico das empresas; ela também se estende ao ambiente digital. Dados recentes revelam que plataformas como WhatsApp e redes sociais são utilizadas para coagir trabalhadores a manifestar apoio político, mostrando que o assédio eleitoral se adapta às novas tecnologias. Isso levanta questões sobre a eficácia da proteção legal em um mundo cada vez mais digitalizado.
As consequências para empresas envolvidas em práticas de assédio eleitoral podem ser severas, incluindo ações civis públicas e termos de ajuste de conduta. O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo Oliveira, alerta que permitir tais condutas representa um risco à democracia, uma vez que distorce a manifestação popular nas urnas.
Os trabalhadores têm o direito de denunciar essas práticas, e o MPT disponibiliza diversos canais para isso, enfatizando a importância de um ambiente de trabalho livre de coações políticas. Em tempos em que a liberdade de voto é fundamental, a proteção dos direitos dos trabalhadores se torna uma questão de relevância social e democrática.
Crédito da imagem: Urna eletrônica eleições mulher




