A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD está prestes a dar um passo significativo em sua operação no Brasil, solicitando licenças para aumentar sua capacidade de produção para 600.000 veículos anuais. Essa expansão vem em um momento em que a empresa está finalizando a construção e os testes de suas instalações de estamparia, soldagem e pintura, conforme informou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.
A nova unidade da empresa, que deverá iniciar 2027 com mais de 50% de nacionalização dos componentes, busca cumprir as exigências regulatórias que a habilitarão a exportar para a região. Baldy destacou que a meta é atingir um patamar superior ao mínimo exigido, permitindo que a BYD seja reconhecida como um fabricante local. A estratégia é uma resposta a críticas de setores da indústria nacional sobre a dependência de importações e o uso de tarifas preferenciais.
Com a ambição de se tornar a maior montadora do Brasil em volume de vendas até 2030, a BYD já enfrenta um desafio: a demanda por seus veículos elétricos está superando a capacidade de produção atual, que deverá alcançar 25.000 unidades mensais até o final de 2026. Baldy revelou que a média de pedidos gira em torno de 30.000 veículos por mês, resultando em uma perda potencial de vendas entre 5.000 a 6.000 unidades mensais.
O investimento da BYD na nova fábrica em Camaçari, Bahia, já ultrapassa R$ 5,5 bilhões. A empresa prevê atingir a marca de 200.000 carros vendidos até o fim deste ano, reforçando sua posição no mercado. Em setembro, a montadora registrou 22.209 emplacamentos, o que lhe conferiu uma participação de 8,5% no mercado brasileiro.
Além de se consolidar no Brasil, a BYD já é líder de vendas no Uruguai e se destaca também na Colômbia e Argentina. A montadora recebeu pedidos de 50.000 unidades do México e 50.000 da Argentina, com a expectativa de atendê-los a partir do próximo ano, impulsionada pelo aumento no índice de componentes produzidos localmente.
A inauguração da nova fábrica, ocorrida em outubro de 2025, no antigo complexo industrial da Ford, já emprega cerca de 9.000 pessoas, com planos de elevar esse número para 10.000 até o final de 2023. A trajetória da BYD no Brasil é um indicativo do crescente impulso do setor de veículos elétricos na América Latina, refletindo uma mudança significativa no mercado automotivo da região.
Crédito da imagem: Fábrica da BYD em Camaçari (BA)




