quinta-feira, 29/10/2026

Dólar R$ 5,35 Euro R$ 5,96
Ibovespa 169.186 ▼ 1,06%

Ajuste fiscal do novo governo chileno enfrenta desafios em meio a desemprego elevado.

O Chile atravessa um momento econômico crítico, com a taxa de desemprego atingindo 9,6%, o maior índice em mais de cinco anos. O cenário desolador foi evidenciado em uma recente reunião em Santiago, onde…

Compartilhe:

O Chile atravessa um momento econômico crítico, com a taxa de desemprego atingindo 9,6%, o maior índice em mais de cinco anos. O cenário desolador foi evidenciado em uma recente reunião em Santiago, onde o ministro da Fazenda, Jaime Quiroz, procurou apaziguar empresários cristãos, pedindo que evitassem o pessimismo diante de uma série de indicadores econômicos desfavoráveis.

Os dados são alarmantes: o crescimento dos investimentos, tanto privados quanto públicos, estagnou no segundo trimestre deste ano, agravado pela queda acentuada na construção civil. A demanda interna também apresenta crescimento nulo, em meio a um aumento no custo de vida, que chegou a 4,1% em julho em comparação com o ano anterior, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços dos combustíveis, uma consequência da dependência do Chile em relação ao petróleo importado.

A situação se torna ainda mais crítica com a significativa queda na produção de cobre, vital para a economia chilena, que viu uma redução anual de 17,4% em agosto. Essa diminuição levou a atividade mineradora ao seu nível mais baixo em três décadas, refletindo uma tendência negativa que já se acumulava ao longo do ano, exacerbada por interrupções operacionais e condições climáticas desfavoráveis.

O governo do presidente José Antonio Kast, que assumiu em março prometendo reativar a economia, agora se vê em uma posição delicada, com uma desaprovação popular superior a 60%. A implementação de um rigoroso plano de austeridade fiscal, que inclui cortes de 3% no orçamento de todos os ministérios e fechamento de programas sociais, tem sido um dos principais focos do governo, embora tenha gerado debates acalorados sobre sua eficácia em impulsionar o crescimento econômico.

Recentemente, o governo anunciou um plano de emprego de US$ 1,3 trilhão, visando criar mais de 100 mil postos de trabalho entre 2026 e 2027, um movimento que representa uma mudança na abordagem austera inicialmente adotada. Especialistas afirmam que, se bem executado, este plano poderá oferecer um alívio à economia fragilizada do país, embora muitos se mostrem céticos quanto à sua viabilidade diante da crise atual.

A discussão no Congresso sobre a Lei Orçamentária para 2027 revela um clima de tensão. Com um crescimento real dos gastos públicos projetado em apenas 1,5%, a proposta é criticada pela oposição, que vê isso como um ataque aos programas sociais essenciais para a população vulnerável. À medida que o Chile enfrenta a maior retração econômica desde a pandemia de covid-19, as dificuldades cotidianas da população aumentam, refletindo um descontentamento crescente frente a um futuro incerto.