sábado, 31/10/2026

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Descoberta de café raro na Amazônia destaca a diversidade da produção global com apenas 0,01% de representatividade.

Pesquisadores no Nordeste do Pará estão voltando suas atenções para uma espécie rara de café que se destaca tanto pelo tamanho dos frutos quanto pela sua resistência. Conhecida como Coffea liberica, ou “café beirão”,…

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Pesquisadores no Nordeste do Pará estão voltando suas atenções para uma espécie rara de café que se destaca tanto pelo tamanho dos frutos quanto pela sua resistência. Conhecida como Coffea liberica, ou “café beirão”, essa planta ainda é pouco cultivada no mundo, representando apenas 0,01% da produção global de café. O maior exemplar encontrado até agora foi descoberto no quintal do agricultor Agílio Cordeiro Vieira, em Irituia.

Diferente das variedades mais comuns, como o arábica e o canéfora, o café libérica cresce sob a sombra de árvores nativas, beneficiando-se de solos ricos e frescos. Suas características físicas são impressionantes: as árvores podem atingir até 11 metros de altura e ter troncos de até 60 centímetros de diâmetro. Além disso, os frutos alaranjados da libérica são notavelmente maiores que os do arábica, e as folhas são significativamente maiores.

A composição da cafeína no libérica é intermediária, sendo superior à do arábica e inferior à do canéfora, o que pode afetar seu sabor. Análises sensoriais indicam que a bebida possui um perfil gustativo único, descrito pelo barista Adriano Vitti Mota como mais frutado e com notas herbais semelhantes ao chá-verde. No entanto, o cultivo comercial do “café beirão” ainda enfrenta desafios, como a dificuldade de manejo devido à altura das árvores e à resistência da casca dos frutos, que pode exigir equipamentos especiais para o processamento.

A presença do libérica na Amazônia é um mistério que remete a quase 300 anos, possivelmente introduzido na região durante a expedição militar de Francisco Palheta. Apesar de ser cultivada em países como Indonésia e Costa do Marfim, a espécie ainda não encontrou espaço no mercado brasileiro. Contudo, sua resistência à ferrugem, uma das principais doenças que afetam os cafeeiros, a tornou valiosa para programas de melhoramento genético do café arábica no Brasil.

As amostras coletadas durante a pesquisa foram enviadas à Embrapa em Belém, onde estão passando por processos de prensagem e congelamento para compor um herbário com mais de 206 mil amostras. O estudo inicial recebeu um investimento de R$ 115 mil da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e há expectativa de que novos recursos sejam liberados para aprofundar a pesquisa sobre o potencial do café libérica nos mercados locais e internacionais.

Crédito da imagem: Você conhece o café libérica?